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.her life is already over


Baseado em: 22 - Lily Allen


Vestido dourado com um corte nas costas até a altura das nádegas, o cabelo curto na altura do ombro estava todo despenteado, estava descalça e os passos bagunçados, um ultrapassando o outro. Ela ia entrando no banheiro, o intuito de retocar a maquiagem, na mão direita ela trazia o par de sandálias salto fino, a esquerda vagava sozinha. Ela chorava, parecia que uma nascente caia de seus olhos, as lágrimas eram prestas ▬ por conta da maquiagem ▬ passando por suas bochechas e escorregando por seu queixo, fazendo todo o trajeto. Ela queria sair dali, daquele âmbito de pessoas moribundas, um querendo ser melhor que o outro, um querendo derrubar o outro para se mostrar mais forte, mais se ela sais se... Com Certeza estaria em todos os jornais. Ela tremia de nervoso e raiva e por conta disso, errava toda a maquiagem, estava praticamente com uma boca de palhaço. Combinava com a face pálida que derramava lágrimas de tristeza, naquele momento, nem ela sabia porque estava ali, seus sonhos não eram aqueles. Olhava a sua aliança e o espelho, a sua aliança e o espelho - Fuck ... It no longer matters - E um sorriso de deboche surgiu em seu rosto, futucou mais o estojo e colocou algumas pintinhas pretas na bochecha de seu rosto, para combinar com o resto. Saiu do banheiro, cambaleando, quase caindo. Olhou e viu seu marido, cochichando no ouvido de uma loira dos lábios vibrantes, olhos verdes, um vestido vermelho curto, os cabelos brilhavam junto com as luzes do local, ela era perfeita. Ela gargalhou e andou agora em passo perfeitos até ele, tirou com facilidade o anel do dedo e deixou cair em seu copo de vodka - Se engasgue com suas mentiras... - Ela virou, trombando com a moça e continuou seus passos. Ele gritava o seu nome e ela pouco se importava, agora ela viveria sua vida, já que a sociedade já a condenava, pouco importava. Todos olhavam para ela, ela era a sensação do momento, os olhares acompanhavam cada passe seu, ela ria de deboche, mais ainda chorava. Mais por dentro, era apenas desgosto... As lágrimas desciam involuntariamente, sem fazer nenhum barulho, eram silenciosas, a pior dor possível, a que não tem com quem desabafar. Ela não tinha amigas, muito menos amigos, era só ela e ela. Rouba uma taça de champanhe da mão de alguém e deu dois goles, o resto ela jogou para trás, estragando os vestidos das madames e por consequência, seus cabelos escovados e alisados também. Ela apenas ria por fora, debochadamente, como se não tivesse coração, como se fosse fria por dentro. Mais era o contrário, ninguém ali imaginava a dor que ela sentia, ela sentia os flashs em sua direção e ao chegar a porta final, virou com a face mais que molhada, os lábios num sorriso fulminante. Levantou a mão e esticou o dedo de meio, sorrindo para os fotógrafos. Irônica. Deu meia volta, saindo do local, saindo dali, ela ia para sua área, onde era bem tratada: a rua. Sim, a rua... Lá ninguém a conhecia por ser mulher de um tal homem famoso, ela era apenas ela... Podia ser livre, tomar um porre, beber, dançar, ser feliz. Coisa que ela não era ao lado dele. Os fotógrafos vinham atrás dela, junto com os paparazzi, os flash atrapalhavam um pouco sua visão. Ela encontrou um mendigo, jogando na porta de uma loja de doces. tirou de sua bolsa duas notas de cem e colocou no potinho de arrecadação dele - Venha dançar comigo! - Chamou ela, já drog da vida e pouco se lixando para o mundo. Naquele gesto ela mostrou igualdade, mostrou que nem todos precisam ser bonitos ou ricos para serem boas pessoas, mostrou o conceito que a sociedade não enxerga, mostrou que ela não é uma louca desvairada, mais sim, uma louca desvairada com dinheiro e que sabe dançar. Largou-o ali, meio tonto ainda com as giradas e ela que transbordava álcool nem um pouco tonta estava. Agora só restaram mesmo os paparazzi, que tiravam fotos. Esses mosquitos não cansam? As lágrimas que antes desciam de seu rosto? Só haviam ficado as marcas. Nesse momento ela sorria, estava livre, longe de casa, ela seria ela mesma... Mesmo que seja por uma só noite. Ela sairia a errada mesmo, como sempre, a culpa cairia sobre ela... O que custava ela realmente fazer coisas erradas e esquecer o mundo? O mundo já havia esquecido dela a muito tempo, culpa da sociedade.

"It's sad but it's true how society says
Her life is already over
There's nothing to do and there's nothing to say
Til the man of her dreams comes along picks her up and puts her over his shoulder
It seems so unlikely in this day and age"

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Um comentário:

  1. Há alguns erros ortográficos já no fim do texto. É um conto legal, parabéns.

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