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.desmascarando um sorriso

Sempre desconfie das pessoas que riem demais. Isso pode ser apenas uma máscara.


Ela sorri, conta piadas, tem a mesma risada escandalosa e nada parece abalá-la. Seus amigos nem desconfiam das coisas trancadas em sua mente, que a cada dia parecem corroê-la ainda mais. Eles percebem que às vezes ela parece estar “em outro lugar”, mas nem se incomodam. Qual é! É ela! A qualquer momento ela viraria e diria alguma coisa retardada, ou começaria a rir de algo que lembrara. Eles não conhecem uma menina mais “feliz”, idiota, tosca e retardada como ela.

Capaz de dizer as coisas mais idiotas que você já ouviu. A menina também era desastrada e destrambelhada como ninguém. Talvez tenha piorado, mas quem se importa? Ninguém se importa com o que se passa em sua cabeça e ela não deixaria transparecer.

Com o tempo a menina começa a se afastar dos amigos, seu interesse pela escola começa a despencar cada vez mais e ela diz coisas que a fazem parecer assustadora. Na verdade, ela estava assustadora. Olheiras cada vez mais escuras e aparentes, pele pálida, lábios sem vida e olhos vazios. Ela não entende o que se passa com ela, não sabe por que se zanga com um simples “oi”, não consegue se levantar da cama e seus interesses somem.

Ela esconde seus sentimentos, seus pensamentos, tudo parece... Doloroso demais.

Ela não sabe como e porque ficou daquele jeito, e tudo que ela quer é ser feliz.

Ela não quer parecer feliz. Ela quer ser.

Apesar de tudo, ainda pensam que ela ainda é a antiga menina. Ela tem medo e, ao mesmo tempo, se pergunta como não percebem. Algum dia ela seria desmascarada? Ninguém percebe, ninguém a tristeza em seus olhos?


“A felicidade é uma vocação”, disse um filósofo e também um poema de Carlos Drummond de Andrade. E ela realmente começa a pensar que sim.



Um comentário:

  1. Um dia eu ainda terei um texto que seu título tenha a ver com o texto, e também textos que falem sobre outra coisa.

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